quarta-feira, 19 de março de 2025

Expectativas e Esperanças


   


 Hoje eu estava refletindo sobre expectativas e esperanças e de como elas influenciam na vida da gente.

     De acordo com dicionário expectativa é situação de quem espera a ocorrência de algo ou sua possibilidade de ocorrência e também que em determinado momento expectativa e esperança são irmãs. Eu acho que se diferem por envolver sentimentos. A expectativa é uma crença centrada no futuro. A esperança é mais emocional, uma luz, uma lenda. 

    Quando criança eu queria ganhar um piano de brinquedo, mas ganhei uma sanfoninha de plástico e papelão que durou somente dois dias. Tive minhas expectativas frustradas quando criança por diversas vezes. Quando somos crianças, nossas expectativas e esperanças são simples e fáceis. O difícil é lidar com a frustração. Sempre digo que não se deve prometer para criança aquilo que não se pode cumprir. A medida que crescemos, as expectativas mudam. 

    Eu tinha 13 anos queria ter 15 para ganhar uma festa grande, tipo baile de debutantes. Ganhei somente um bolo bonito da minha mãe e um buque de rosas dos meus padrinhos. Depois queria ter 18 anos para sair de casa, ser independente, morar sozinha e ser feliz. Com 15 anos engravidei, casei e tive que morar  na casa dos sogros por quase três anos. Com 18 anos,  já esperando o segundo filho, comecei a lecionar. Queria muito fazer uma faculdade para melhorar meu salário. Consegui fazer a faculdade somente 10 anos depois, com 28 anos, quando meus filhos já eram mais crescidos. Tive muitas expectativas frutradas ou adiadas na minha vida, como todo mundo tem.

    Minha última expectativa era me aposentar.  Isso sim faria a diferença na minha vida. Seria um mar de rosas com viagens, passeios, encontros com amigos e tempo de sobra para fazer tudo que eu gosto. Tempo para desfrutar o ócio, deitada numa rede na varanda com um copo de vinho. Teria tempo para fazer atividade física, alimentação saudável e sono de qualidade. Sonhava em fazer um cruzeiro, construir uma casa no sítio e quem sabe morar na praia.  Fiz o cruzeiro e a casa no sítio. Não fui morar na praia. Veio a pandemia e fui morar no sítio. 

    Eu gostava muito  de morar no sítio, mas não imaginava que dava tanto trabalho. Depois de três anos morando e labutando no sítio veio a separação. Dias difíceis, tristezas, desentendimentos, sonhos destruídos e uma decisão: tornar realidade aquela minha esperança de morar na praia. As expectativas eram boas: morar sozinha na praia, caminhar na orla, emagrecer, viajar muito,  fazer novas amizades, ir nas baladas, ter meu cantinho. Não foi bem assim. Fiquei sozinha, me sentia só, engordei, auto-estima no chão, sem viagens, sem amigos novos, sem baladas. O excesso de peso me privou até das caminhadas. Meus joelhos sofriam mais que eu.

  Benditas expectativas. Para realizá-las não basta ter esperança e sim, tem que ter movimento ação e trabalho. Meu cenário idealizado de aposentada, magra e feliz, caminhando, viajando, curtindo, não se confirmou e veio a decepção. 

    Ano passado eu resolvi dar um basta. Queria emagrecer pelo menos uns 4 kg por mês e chegar magra no fim de ano. Desta vez tive atitude e determinação mas só consegui emagrecer 2 kg por mês e este processo me trouxe muitas alegrias, muitas decepções e muitos aprendizados. 

    Nossas expectativas e esperanças dependem do grau de nossa dedicação para alcançá-las e também dependem de fatores externos e de outras pessoas. Não temos controle sobre tudo, temos que pensar diferente. Aceitar os desvios de rota, aceitar a demora, o tempo, o inesperado, as diferenças, as resistências.

     Fica a reflexão de como encontrar uma maneira em equilibrar as expectativas para evitar as frustrações. A vida não é linear, nem o trabalho, nem o emagrecimento, nem a capacidade física. É preciso aceitar o imprevisível, as pessoas, as circunstâncias. Temos que equilibrar as expectativas, ter flexibilidade. Ter a esperança de que nossas expectativas sejam verdadeiras sabendo que também dependem muito do nosso esforço. 

    Agora tenho a expectativa de melhorar minha saúde e minha mobilidade para poder viajar, continuar morando sozinha e quem sabe morar num lugar melhor. Isso só vai acontecer se eu me dedicar, tiver foco. É trabalho duro e dedicação. Depende essencialmente de mim. Terei resistências internas e externas. Preciso manter a constância, não desistir. 

    Assumir o protagonismo da minha vida, a responsabilidade das minhas ações e também as suas consequências é essencial. É muito fácil colocar a culpa no azar, no passado difícil, nas atitudes dos outros, na falta de tempo, de dinheiro, na idade ou em tantas outras desculpas, sem analisar se eu fiz tudo que podia para alcançar meus sonhos. 

Sou uma mulher com esperanças e expectativas. Uma sonhadora dedicada e realista.

domingo, 19 de janeiro de 2025

A VIDA É BELA, UMA REFLEXÃO SOBRE A DEPRESSÃO

 




      Hoje em dia, a vida é bela para mim. É muito bela. Tenho e sou  mais do que imaginei e sou muito feliz assim. Mas nem sempre foi assim.

     Em 2014 eu tive uma das piores doenças da mente: a depressão. Naquele ano, fui ao médico para tratar da obesidade e voltei com uma sacola cheia de remédios e esperanças. Em poucos meses emagreci, perdi muito peso e também perdi toda alegria de viver. Eu era muito triste e magra.

    Pensamentos muito obscuros povoavam minha mente e a vida ficou difícil de ser vivida. A vida ficou preta, escura, sem sentido, sem motivo. O choro corria solto a qualquer momento. O medo de tudo me percorria dia e noite.  |Medo das pessoas, medo de viver, medo de morrer, medo de mim mesma. Até medo de dormir eu tinha e só dormia com uso de remédios. Eu não queria sair do portão para fora. Depois eu não queria nem sair de dentro de casa e, por fim, nem do quarto e nem da cama eu queria sair mais. Era um sacrifício enorme levantar todos os dias, tudo era dificil. Eu queria muito acabar com aquele sofrimento, nem que pra isso precisasse acabar com a minha vida. 

    Tive que ser mais forte do que minha tristeza para procurar ajuda. Foram muitas idas em psiquiatra, muita terapia com psicóloga e muitos antidepressivos.  Dois anos de muita luta para sair daquele estado depressivo. A névoa foi se dissipando aos poucos e a vida voltou a fazer sentido. Muito lentamente fui me sentindo mais forte, comecei a ter sonhos e fazer planos, enquanto engordava todos os quilos perdidos.  

    Não sei se foi o remédio para emagrecer que me causou depressão ou se foram acontecimentos ruins ou a soma de tudo. Foi muita luta para sair da depressão. Eu não tinha motivos fortes para tanta tristeza e não me conformava com aquela situação. eu não queria aquilo pra mim. Só que era mais forte que eu. 

     Depressão não tem cura. Ela está aqui, dentro de mim, dormindo. É uma luta constante para que ela não acorde e invada todo meu ser. Hoje em dia, quando fico triste, já procuro mudar meu estado de espírito, ouvindo uma música, rezando, assistindo uma comédia, escrevendo, pintando, indo caminhar na praia... Ocupo meu tempo com coisas que eu gosto de fazer. Me comprometo em sair todos os dias de casa para caminhar, ir ao pilates, ao curso de pintura e agora academia. Nunca mais quero me afundar no poço da tristeza. É sempre um orai e vigiai. Qualquer coisa pode desencadear o estado depressivo e eu preciso ficar atenta e não deixar que essa névoa habite minha mente novamente.

    Há dois anos, eu me vi sozinha nesta cidade, pois minha filha voltou a morar no sítio. eu me senti invadida pela solidão e tristeza. Ela nem foi pra tão longe, mas já não estava tão perto. Tomei uma atitude: aumentei os dias de pilates e do curso de pintura, voltei a estudar e estou fazendo minha terceira faculdade. Voltar a estudar me trouxe mais ânimo e mais alegria. Um sentimento de capacidade muito grande e de orgulho em voltar a estudar depois de aposentada. Também evito pensamentos negativos e dou uma de Poliana procurando sempre ver o lado bom de tudo.

    E assim, sigo a vida nesta busca constante de estar em paz e feliz com a vida, porque a vida é bela e vale a pena ser vivida.

 

domingo, 12 de janeiro de 2025

Escolhas



      Acordei numa reflexão sobre escolhas. Certa vez eu ouvi um palestrante motivacional falar: escolha o seu difícil. Levo esta frase na minha vida sempre que tenho que fazer escolhas.

      Hoje, ao acordar,  pensei: "como é bom morar sozinha."  

      Acordo, não sou acordada.

      Faço o café pra mim, ou não.

      Ligo a TV, escolho o que assistir ou fico  em silêncio ou escuto músicas que eu gosto.

      Planejo o meu domingo com o que eu tenho vontade de fazer ou fico sem fazer nada.

      Não  preciso me preocupar com o café que o outro gosta, com a música ou programa de TV que talvez não agrade a outra pessoa, não preciso fazer um programa dominical que a outra pessoa escolheu,  posso fazer todas as escolhas sozinhas.

       Por outro lado, não tem aquele cafuné no cabelo ao acordar,  não tem ninguém para dizer bom dia, não tem café da manhã na cama, não tem conversa gostosa, com aquele café demorado na mesa, não tem sentar juntinho para assistir um filme e comer pipoca, não tem passeio de mãos dadas, não tem planos de viagens futuras,  não tem cuidar do jardim juntos.

      Lembrei-me de minha mãe, que morou sozinha por mais de vinte anos e nunca reclamou. Tinha como companhia muitos livros, os passeios e viagens.

       Esta semana estou pesquisando máquinas de lavar roupas. Não tenho alguém do meu lado para ajudar na escolha, para comprar, para pagar, para tirar a máquina velha e instalar a nova. Sou só eu. É ruim sim, mas também dá a sensação de empoderamento.

       É bom morar sozinha é bom morar junto. É  difícil morar sozinha é difícil morar junto.

       Eu escolhi o meu difícil e me mantenho fiel a essa escolha. Não sei se será para sempre. Eu espero que sim.  

        É  difícil morar sozinha e ser a única responsável pelas minhas escolhas, é solitário, é silencioso, mas é apaziguador, é calmo, é tranquilo, é bom.

domingo, 18 de agosto de 2024

Família


 Família. No dicionário, há duas definições: o conjunto de parentes de uma pessoa ou o grupo de pessoas vivendo sob o mesmo teto. Essa palavra me traz lembranças da minha infância, especialmente dos domingos dos anos 70. Naquela época, ainda não existiam garrafas plásticas, e meu pai aos domingos, sempre saía para buscar uma Coca-Cola, levava o casco de vidro de um litro para pagar menos. Era um litro para cinco pessoas: meus pais, meus irmãos e eu. Às vezes, tinha frango assado, e meu irmão e eu sempre queríamos comer o coração para “ficarmos com dois corações”. Colocávamos o osso do peito para secar ao sol e, para decidir a sorte. Sempre havia uma disputa saudável entre meu irmão mais velho e eu. Eu o imitava em tudo; até hoje, tomo café preto porque ele começou a tomar, e eu queria fazer igual.

    Voltando ao dicionário, a segunda definição de família são as pessoas que moram na mesma casa. Hoje, moro sozinha. Então, eu sou a minha família. É domingo, e não terei a Coca-Cola, o frango, os pais, os irmãos e as disputas da infância. Mas isso não me entristece. Aprendi que cada fase da vida tem seus encantos. Não posso voltar ao passado nem pular para o futuro; só posso fazer o meu melhor agora.

    Quem sabe, um dia, em uma casa de repouso, eu me lembre de como eram bons os meus domingos quando morava sozinha. Mesmo assim, eu fazia um almoço caprichado. Preparava água saborizada, usava um  prato bonito, taça, guardanapo de pano, flores na mesa. Eu aproveitava a minha companhia silenciosa e agradável. Eram momentos de calma e autocuidado. Colocava uma música que gostava e saboreava cada garfada como se estivesse em um restaurante chique. Um agrado para mim mesma, essa pessoa tão especial de quem tenho tanto orgulho. Superou tantas dificuldades e, hoje, pode usufruir dessa paz e felicidade.

    A gente se esquece de valorizar o momento presente e sempre acha que a felicidade está no passado ou que talvez a encontrará no futuro. No domingo passado, almocei em um restaurante com meus filhos e netos. Foi um momento muito bom, com a família reunida. Hoje, sou a minha família. Estou feliz por estar aqui, por enxergar, poder escrever, por poder desfrutar do meu almoço sozinha. Quantas vezes desejei almoçar em paz e não podia? Mas essa é outra história.

    Valorizo muito, mas muito mesmo, a vida que tenho. Amo minha vida, amo a mim mesma e amo cada momento que passo na minha própria companhia.

    

domingo, 4 de agosto de 2024

COISAS SIMPLES

 


Hoje é domingo. Estou aqui, sentada, tomando meu café, e meus olhos se perdem no vaso de flores lindas que comprei para enfeitar meu apartamento. Todo fim de semana, eu o decoro, e as flores duram bastante, trazendo uma alegria especial para mim. Apesar de estar sozinha, não me sinto só; hoje, estou imensamente feliz.


Enquanto saboreio meu café da manhã, reflito sobre o quanto sempre amei esses momentos de calma e tranquilidade. Pensar no meu dia e no que farei sempre foi essencial para mim. Quando eu trabalhava, era difícil encontrar tempo, mas sempre arranjava pelo menos 10 a 15 minutos para sentar e apreciar meu café calmamente, mesmo que isso significasse acordar mais cedo. Esse pequeno ritual era meu refúgio em meio à correria.


Cada gole de café me traz uma sensação de conforto e de conexão com o presente. As flores não são apenas enfeites; elas são testemunhas silenciosas dos meus pensamentos, dos meus sonhos e das minhas lembranças. Elas me lembram que a beleza pode ser encontrada nas coisas simples e que o cuidado e a atenção que dedicamos a nós mesmos são preciosos.


Agora que estou aposentada, a vida ganhou um ritmo diferente, mais suave e contemplativo. Posso apreciar cada detalhe do meu dia, desde o aroma do café recém-passado, a mesa bem arrumada, as flores e até o burburinho dos vizinhos nas suas rotinas diárias.Meu apartamento, com suas flores e seus cantos tranquilos, se tornou um refúgio de serenidade.


Escrever em meu caderno é um ritual que alimenta minha alma. Nele, eu faço planos, traço metas e revisito memórias que aquecem meu coração. Não sinto falta de companhia porque, nesse espaço íntimo, encontro uma profunda conexão comigo mesma. Minhas palavras são minhas conversas, minhas listas são meus projetos, e minhas lembranças são minhas histórias.


A vida, com seus altos e baixos, me ensinou a valorizar esses momentos de introspecção e auto-cuidado. Cada dia é uma nova oportunidade de descobrir algo novo sobre mim mesma, de explorar meus sentimentos e de planejar o futuro com esperança e entusiasmo. E é nesse café da manhã tranquilo que encontro a força e a inspiração para continuar.


Aos 56 anos, carrego comigo uma bagagem rica de experiências e aprendizados. E, embora a vida tenha mudado, a essência de quem sou permanece firme. Continuo amando os pequenos prazeres, como tomar café calmamente, e espero poder desfrutar desses momentos por muitos anos ainda.



Que minhas flores continuem a alegrar, que meu café continue quente e reconfortante, e que eu nunca perca essa capacidade de encontrar alegria nas coisas simples. Porque, no fim das contas, são esses pequenos momentos que tornam a vida verdadeiramente especial.

terça-feira, 23 de julho de 2024

Cadê essa mulher?


 Recebi uma foto de mais de 20 anos atrás e fiquei admirada com aquela mulher poderosa que vi. Um sorriso largo, bem vestida, unhas pintadas, maquiada, cheia de vida, alegria e empoderamento. Aquela era eu. Onde foi que me perdi? Cadê você, mulher da foto?


Se tivesse visto essa foto há uns três anos, teria ficado decepcionada com o que me tornei. Mas hoje, estou resgatando essa mulher de forma melhorada e atualizada. Naquela foto, eu tinha pouco mais de 30 anos, vivendo minha glória, meus anos dourados. Eu era uma mulher separada, independente, bonita e corajosa. Foram pouco mais de dois anos vivendo dessa forma até que me apaixonei, casei, e a vida foi mudando, mudando, mudando. Foi bom, mas também foi ruim. Enfim, agora estou separada novamente, morando sozinha e resgatando minha autoestima.


Foi muito difícil começar a pensar em mim novamente. Foram anos pensando em "nós". O medo tomou conta de mim. Sair da zona de conforto não é fácil, mesmo que essa zona de conforto não seja tão boa assim. Comecei a fazer Pilates, um curso de artesanato, caminhar na praia, entrei em um curso de pintura, fui à cabeleireira depois de anos cortando o cabelo sozinha, fiz aula de dança cigana. Fui me resgatando aos poucos.


No começo, sentia muita solidão, mas aos poucos fui gostando da minha própria companhia. Pintei meus cabelos de vermelho, fui à manicure, comprei um colar e um óculos de sol estilosos, passei batom, comprei maquiagem, comecei uma dieta, voltei a estudar, viajei com as amigas. Depois de uma caminhada eu fui tomar café sozinha, numa cafeteria super charmosa. Tirei uma selfie e postei. Uma amiga viu a foto e  escreveu: "Amiga, você está empoderada."

 E assim, com 56 anos, aposentada e cuidando da minha vida, estou resgatando a mulher incrível que sempre fui.




Cada passo que dou é um reencontro com aquela mulher poderosa da foto, e estou redescobrindo a alegria de viver com intensidade e amor próprio.



quarta-feira, 26 de junho de 2024

A Beleza de Recomeçar

 


Recomeçar não é uma tarefa fácil, nos tira da zona de conforto do conhecido e do habitual. Há dois anos estou nesta caminhada de recomeçar, desta vez com mais maturidade, mas com muitas inseguranças. Trouxe na minha mudança os móveis e a desilusão. Trouxe a despedida, as lágrimas, as roupas e a saudade. Fiquei sem norte, sem direção, mas carregada de esperança de dias melhores.

Não é difícil dizer adeus ao que te fazia mal, mas dizer adeus ao que te fazia bem é devastador.

Há uma beleza em recomeçar, uma beleza escondida que vai aparecendo aos poucos. Um dia, você entra na loja e vai comprar sua cama nova. É você que escolhe a cor, a marca, o tamanho, o preço. Ninguém para ajudar e dar opinião. Você que vai pagar, receber e colocar no lugar que você quiser. Começa a surgir a beleza de recomeçar: a vitória de conseguir fazer uma pequena escolha sozinha. Você deita na sua cama nova, feliz e capaz. Ninguém vai reclamar da sua escolha. Ela é sua e para você.

Então, cria-se uma lista de pequenas conquistas e vitórias que vão fortalecendo a autoconfiança, a autoestima, a autonomia. As escolhas são minhas e para mim. Eu escolho tudo que quero na minha vida agora.

De umas semanas prá cá, para alegrar meu lar, estou comprando flores. Não consigo cultivar muitas plantas no meu apartamento, então decidi que quero trazer alegria e cor para os meus dias. Todo sábado, vou gastar um pouco de dinheiro em alegria. Já comprei rosas vermelhas e amarelas, margaridas, girassóis e mini rosas. A cada sábado, trago um pouco mais dessa beleza de recomeçar para mim.