quinta-feira, 21 de julho de 2016

Mães que partiram

Mães que partiram
Só de pensar dói. Corta bem fundo na alma, atravessa o âmago, serra a garganta e não sai. Mães nunca deveriam partir, elas deveriam durar eternamente. Uma amiga muito sábia disse que "nunca se é velho demais para se ficar órfão.

" Ela tem razão. Todo adulto tem coração criança quando se trata de mãe e por mais que se tente agarrar na barra da saia, chega o dia em que, fatalmente, ela diz adeus. Às vezes ainda jovem e ninguém está preparado para aceitar esse tipo de perda. Achamos injusto. Muito injusto mesmo. Por que mãe é mãe.

Mas Deus conhece nossos caminhos e sabe quanto tempo deve durar a missão de cada um. E o que temos que aprender com os que partem. Talvez, quem sabe, seja para que abramos novas janelas, novas portas, façamos novos encontros... para que a gente aprenda a voar só e alto.

Se algumas mães não partissem ou não fossem diferentes, outras mulheres jamais fariam a experiência da maternidade através da adoção.Mas eu sei, com todo meu coração, que quem teve a sua mãe e esta se foi sente um vazio profundo.

Mas é um vazio de saudade, a sensação de não ter mais do lado aquela que parecia preencher qualquer espaço e que preenche ainda nas lembranças.Uma mãe não vai embora pra sempre de verdade. Ela fica nas nossas células, na nossa pele, no nosso coração e mente.

 Mãe é isso: aquela que, mesmo partindo, fica. E, ficando, reconforta. As lembranças também nos fazem viver, nos fazem rir, sentir ternura e é isso que é importante guardar: o que de bom ficou.Mãe é eterna sim, no fim das contas. Ela dura, enquanto a gente dura...

Letícia Thompson

domingo, 12 de junho de 2016

Ter ou não ter namorado


Ter ou não ter namorado

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas
 de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. 
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. 
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. 
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. 
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. 


Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. 
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. 
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. 


Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d´água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. 
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. 
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. 
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. 
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. 
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. 


 Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. 
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. 
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

Artur da Távola








sábado, 21 de novembro de 2015

Está chegando o Natal

Está chegando o Natal


Quantas lembranças esta época linda do ano nos traz: a alegria das crianças,  rever familiares, presentear, passear, celebrar...

Também é tempo de saudade, de sentir um pouco de tristeza em não ter mais junto aquelas pessoas queridas  que partiram do nosso convívio.


O tempo passa tão rápido... 
Tantos natais alegres com a família reunida.
Tantos natais solitários que serviram para 
reflexão e fortalecimento do espírito.




Gosto do clima de Natal...das ruas enfeitadas e coloridas, 
das casas piscando de alegria com seus pisca-piscas,
das pessoas planejando viagens e reencontros,
dos presentes, por mais simples que sejam,
 sendo planejados e preparados com amor.



Gosto do clima de Natal, mesmo sabendo que muitas pessoas esquecem
o verdadeiro sentido cristão e significado desta data 
que é o nascimento de nosso grande Mestre Jesus. 
Sei que, mesmo não se importando muito com a espiritualidade,
as pessoas ficam melhores, mais solidárias e felizes nesta época.


Natal perfeito para mim era na casa da minha Oma, vó querida e amada.
Agora eu também sou avó e quero que meus netos sintam
esse aconchego natalino em minha casa também.


Talvez seja a hora de dar continuidade as tradições natalinas 
e reunir o meu pequeno núcleo familiar 
para cantar e rezar perto do pinheirinho. 
Vamos aprender juntos a cantar
O Tannenbaum e Noite Feliz, 
(sei que vou me emocionar nestes momentos).
Vamos rezar agradecendo e pedindo as bençãos do Criador,
celebrar a oportunidade de estarmos juntos.



Sei que sempre vou trazer as pessoas queridas no coração
 e sei que estarei no coração delas também.
O Natal nunca mais será o mesmo faltando as pessoas que amamos e 
por isso quero fazer o meu melhor Natal todo ano com as pessoas que estão aqui.



                                                                                                             
                                                                                                                       Everli Unterstell

terça-feira, 20 de outubro de 2015

UM BOM CAFÉ


Tomo um Bom Café para reanimar e lembro de minha mãe 
que sempre falava isso: que o café  a reanimava.
Bom Café. Delícia. Minha família gosta muito de um Bom Café
Desde criança, quando passava muito tempo
 na casa de minha querida tia Nelci,
 uma casa cheia de crianças e alegria,
 ouvia ela dizendo no meio da tarde:

 " Agora vou fazer um bom café". 

Aquilo era um ritual para Everli menina,
 a mesa arrumada com capricho, 
o cheiro gostoso do café sendo passado na hora.
 A mesa cheia de gente, cheia de amor,
 repleta de ternura de uma tia-mãe 
para oferecer o melhor para nós:  eu, seus sete filhos:
 Afonso, Frederico, Jussara, Tânia, Daniel, Sílvio e Rodolfo
 e quem mais estivesse presente.


Na casa de minha Oma ninguém vai embora
 sem tomar um Bom Café.
 Minhas tias queridas, também são fãs dele e eu, é claro,
 tinha que seguir essa tradição. 

Este é o Bom Café em minha casa com pessoas muito queridas: 
Vivian, minha filha, minha madrinha Edela,
 minha mãe, tia Nelci, eu e a Oma na foto.


Minha mãe, quando vinha me visitar,
 queria sempre que eu a levasse no shopping 
para tomar um café expresso, 
visitar a livraria Curitiba e comprar presentes para os netos.


E chegava no meio da tarde, minha mãe aqui em casa, 
já começava a se agitar para passar um café. 
Começava um ritual de encher a chaleira de água, 
colocar o pó no coador e enquanto a água não fervia, 
arrumava a mesa com capricho: xícaras, pires e pratinho.
 Garfinho colher e faca. Amor, ternura e carinho. 
Pão, manteiga e geleia. Cuca de banana e bolo formigueiro. 
Sorrisos, paz e encanto. Queijo, linguiça e nata, 
Mel, melado e chimia. Afeto, doçura e esperança.

Assim é o Bom Café de nossas vidas: 
cheio de gostosuras e bons sentimentos.

Everli Unterstell






domingo, 18 de outubro de 2015

ME ILUMINA

 Antes de dormir, Felipe meu neto de três anos, faz duas orações:

 Meu Anjinho
 Meu bom Amiguinho 
Me leve sempre 
Para o bom caminho




Também reza a oração do Anjo da Guarda:






Eis que numa noite, fazendo as orações com sua mamãe ele pega um brinquedo que acende a luz e no final da oração, na parte que diz me rege, me guarde, me ilumine... Ele  diz: 

"Hoje pode deixar que eu ilumino." 
E acende a luzinha de seu brinquedo.



Lindo...soubesse que ele sempre ilumina nossas vidas
 e nem precisa de luz de brinquedo nenhum, pois
ele tem muita luz em seu coração de criança.



                                                                                                                                    Everli Unterstell





segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A Prima VERA

Quando chega a estação do ano mais florida e perfumada, lembro de minha mãe Vera que gostava tanto de flores e sempre tinha algo florido, no jardim das muitas casas que moramos. Ela conhecia o nome de tantas flores...

 Ficava pensando, quando ainda era criança. que deveria ser muito engraçado, pra as primas da minha mãe, ter uma prima Vera. Bobicinhas de criança.
 Eu achava o máximo, ter uma mãe que cultivava flores e tinha parte da PRIMAVERA em seu nome.


 Um dos jardins que mais me lembro é da casa de Chopinzinho no Paraná. 
Na entrada do portão até a entrada da varanda, junto a cerca, haviam muitas margaridas que eu amava brincar de bem me quer e mal me quer. Elas atraíam borboletas coloridas e abelhas também.


Embaixo da janela da sala, ao lado da varanda, haviam violetas que tinham folhas verdes e lisas.
Eram as violetas de cheiro, que minha mãe colhia as folhas e, quando tínhamos tosse, colocava em uma xícara com água e jogava uma brasa incandescente que tirava do fogão a lenha. Tomávamos esse chá como se fosse uma poção mágica. Lembro bem do gosto doce de flor com madeira queimada.
 Carinho e cuidado de mãe, benzedura, crendice e muita fé e esperança que parássemos de tossir. Descobri que esse tipo de violeta tem poderes terapêuticos mesmo, pesquisando na net.


Outra flor que tínhamos em quantidade, era a Maria-sem-Vergonha. Conhecíamos como beijinho e eram de várias cores espalhadas por todo lado. 
Eu ficava procurando as bolsinhas de sementes e catava as mais gordinhas. Quando as mãos estavam cheia delas, apertava as bolsinhas para ver aquela profusão de sementes caindo enquanto, as bolsinhas viravam pequenos caracóis.
 Essas flores enfeitavam nossos bolos de barro e colocávamos as pétalas nas unhas imitando esmalte.


Também tinham as azedinhas ou trevinho que arrancávamos para ficar mastigando e sentindo o suquinho doce e azedo.



Essas eram as flores que marcaram minha infância. Todas simples, coloridas, perfumadas, saborosas, curativas e lindas. Traziam ao nossos dias o colorido e alegre tempo em que as flores não serviam somente como enfeite mas, ajudavam a curar e entravam nas brincadeiras também.

Everli Unterstell





DIA DAS CRIANÇAS

O Direito das Crianças

Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos tem de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir...

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.
Ruth Rocha

E hoje é dia delas: de nossas crianças. Tão bom ter crianças por perto. Aprendemos tanto com elas. Nosso mundo fica mais colorido e bonito. Elas nos rejuvenescem, nos dão força, fazem com que a gente se humanize e fique atento aos pequenos detalhes da vida. Elas nos fazem lembrar que existe o mundo da fantasia e que precisamos brincar mesmo depois de adultos. Por causa delas damos gargalhadas gostosas,  brincamos de casinha e de super heróis, nos transformamos em seres incríveis e voltamos a ser crianças também.

                                                                             Everli Unterstell