domingo, 19 de janeiro de 2025

A VIDA É BELA, UMA REFLEXÃO SOBRE A DEPRESSÃO

 




      Hoje em dia, a vida é bela para mim. É muito bela. Tenho e sou  mais do que imaginei e sou muito feliz assim. Mas nem sempre foi assim.

     Em 2014 eu tive uma das piores doenças da mente: a depressão. Naquele ano, fui ao médico para tratar da obesidade e voltei com uma sacola cheia de remédios e esperanças. Em poucos meses emagreci, perdi muito peso e também perdi toda alegria de viver. Eu era muito triste e magra.

    Pensamentos muito obscuros povoavam minha mente e a vida ficou difícil de ser vivida. A vida ficou preta, escura, sem sentido, sem motivo. O choro corria solto a qualquer momento. O medo de tudo me percorria dia e noite.  |Medo das pessoas, medo de viver, medo de morrer, medo de mim mesma. Até medo de dormir eu tinha e só dormia com uso de remédios. Eu não queria sair do portão para fora. Depois eu não queria nem sair de dentro de casa e, por fim, nem do quarto e nem da cama eu queria sair mais. Era um sacrifício enorme levantar todos os dias, tudo era dificil. Eu queria muito acabar com aquele sofrimento, nem que pra isso precisasse acabar com a minha vida. 

    Tive que ser mais forte do que minha tristeza para procurar ajuda. Foram muitas idas em psiquiatra, muita terapia com psicóloga e muitos antidepressivos.  Dois anos de muita luta para sair daquele estado depressivo. A névoa foi se dissipando aos poucos e a vida voltou a fazer sentido. Muito lentamente fui me sentindo mais forte, comecei a ter sonhos e fazer planos, enquanto engordava todos os quilos perdidos.  

    Não sei se foi o remédio para emagrecer que me causou depressão ou se foram acontecimentos ruins ou a soma de tudo. Foi muita luta para sair da depressão. Eu não tinha motivos fortes para tanta tristeza e não me conformava com aquela situação. eu não queria aquilo pra mim. Só que era mais forte que eu. 

     Depressão não tem cura. Ela está aqui, dentro de mim, dormindo. É uma luta constante para que ela não acorde e invada todo meu ser. Hoje em dia, quando fico triste, já procuro mudar meu estado de espírito, ouvindo uma música, rezando, assistindo uma comédia, escrevendo, pintando, indo caminhar na praia... Ocupo meu tempo com coisas que eu gosto de fazer. Me comprometo em sair todos os dias de casa para caminhar, ir ao pilates, ao curso de pintura e agora academia. Nunca mais quero me afundar no poço da tristeza. É sempre um orai e vigiai. Qualquer coisa pode desencadear o estado depressivo e eu preciso ficar atenta e não deixar que essa névoa habite minha mente novamente.

    Há dois anos, eu me vi sozinha nesta cidade, pois minha filha voltou a morar no sítio. eu me senti invadida pela solidão e tristeza. Ela nem foi pra tão longe, mas já não estava tão perto. Tomei uma atitude: aumentei os dias de pilates e do curso de pintura, voltei a estudar e estou fazendo minha terceira faculdade. Voltar a estudar me trouxe mais ânimo e mais alegria. Um sentimento de capacidade muito grande e de orgulho em voltar a estudar depois de aposentada. Também evito pensamentos negativos e dou uma de Poliana procurando sempre ver o lado bom de tudo.

    E assim, sigo a vida nesta busca constante de estar em paz e feliz com a vida, porque a vida é bela e vale a pena ser vivida.

 

domingo, 12 de janeiro de 2025

Escolhas



      Acordei numa reflexão sobre escolhas. Certa vez eu ouvi um palestrante motivacional falar: escolha o seu difícil. Levo esta frase na minha vida sempre que tenho que fazer escolhas.

      Hoje, ao acordar,  pensei: "como é bom morar sozinha."  

      Acordo, não sou acordada.

      Faço o café pra mim, ou não.

      Ligo a TV, escolho o que assistir ou fico  em silêncio ou escuto músicas que eu gosto.

      Planejo o meu domingo com o que eu tenho vontade de fazer ou fico sem fazer nada.

      Não  preciso me preocupar com o café que o outro gosta, com a música ou programa de TV que talvez não agrade a outra pessoa, não preciso fazer um programa dominical que a outra pessoa escolheu,  posso fazer todas as escolhas sozinhas.

       Por outro lado, não tem aquele cafuné no cabelo ao acordar,  não tem ninguém para dizer bom dia, não tem café da manhã na cama, não tem conversa gostosa, com aquele café demorado na mesa, não tem sentar juntinho para assistir um filme e comer pipoca, não tem passeio de mãos dadas, não tem planos de viagens futuras,  não tem cuidar do jardim juntos.

      Lembrei-me de minha mãe, que morou sozinha por mais de vinte anos e nunca reclamou. Tinha como companhia muitos livros, os passeios e viagens.

       Esta semana estou pesquisando máquinas de lavar roupas. Não tenho alguém do meu lado para ajudar na escolha, para comprar, para pagar, para tirar a máquina velha e instalar a nova. Sou só eu. É ruim sim, mas também dá a sensação de empoderamento.

       É bom morar sozinha é bom morar junto. É  difícil morar sozinha é difícil morar junto.

       Eu escolhi o meu difícil e me mantenho fiel a essa escolha. Não sei se será para sempre. Eu espero que sim.  

        É  difícil morar sozinha e ser a única responsável pelas minhas escolhas, é solitário, é silencioso, mas é apaziguador, é calmo, é tranquilo, é bom.