domingo, 17 de agosto de 2025
Eu descobri minha força
domingo, 10 de agosto de 2025
Brevidade da Vida
domingo, 3 de agosto de 2025
MULHER GUERREIRA
Ao me chamar de guerreira, com certeza, minha tia quis se referir a todas as coisas ruins que eu passei e consegui dar a volta por cima. Lembrei muito da minha mãe, que dizia que a nossa família, era feita de mulheres guerreiras. Eu ouvi isso dela quando a minha neta Isabela nasceu, num quadro de saúde bem complicado e conseguiu superar. Na primeira vez que vimos a linda e pequena Isabela, foi a certeza que a luta pela vida foi grande. Uma verdadeira guerreira.
Ser guerreira nem sempre é bom. É cansativo estar sempre alerta, sempre lutando, sempre superando, sempre tentando se reerguer das adversidades da vida. Eu queria ter uma vida tranquila, mas as minhas escolhas erradas, certas pessoas e situações, não permitiram isso. Não tenho ressentimentos. Tudo que eu passei construiu a mulher que eu sou com 57 anos. São muitas cicatrizes de feridas profundas, mas que não doem mais. Penso que estou na fase da vida em que eu me sinto mais curada e feliz. Me sinto bem e fazendo as coisas que eu gosto, que me trazem paz. A minha vida não foi nada fácil. Fui mãe adolescente, comecei a trabalhar cedo, tive relacionamentos complicados e fiquei muito doente de corpo e alma. Hoje me sinto leve, pois não carrego comigo o peso das vivências ruins e sim, o sabor da superação.
Ser guerreira ainda é uma batalha diária pra mim, mas dessa vez, por mim. Luto diariamente para ficar saudável física e mentalmente. Na verdade é uma guerra sem fim. Quem já teve depressão como eu, num grau extremo e por anos, sabe do que eu estou falando. É uma luta diária e, ao mesmo tempo, uma certeza, de que o fundo do poço não é meu lugar de pertencimento. O fato de eu não me apegar ao passado me ajuda nesta batalha. Sempre tive facilidade em perdoar e esquecer, só que isso, nem sempre é bom. Essa facilidade de perdão me fez permanecer em situações repetitivas de estresse, medo, dor, humilhação e mentiras. Perdoar demais também é ruim, perde-se o limite do aceitável.
Tudo que já me aconteceu também me faz receosa de me jogar para vida. Aí sempre lembro da música Emoções, do Roberto Carlos, que diz: "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi". Se preservar demais também é ruim. A gente quer se preservar para não se machucar e acaba se fechando para as coisas boas também. É o medo de sofrer.
Fico aqui tentando encontrar o equilibrio entre se guardar e se jogar. A vida é só uma, e eu já vivi bem mais da metade dela. O que resta, é me colocar sempre em primeiro lugar e me cuidar, Fazer as coisas que eu gosto e, principalmente, não deixar a tristeza fazer morada em mim novamente. É um eterno orai e vigiai. Agora a maturidade me permite fazer escolhas melhores e vou viver um dia de cada vez, fazendo o que eu tenho vontade e me faz feliz: pintar, escrever, ouvir música, assistir bons filmes passear, contemplar o mar, conversar e estar perto de pessoas do bem. Afinal não quero cantar a música Epitáfio dos Titãs e sim Emoções do Roberto Carlos.


