sexta-feira, 2 de setembro de 2016

MINHA VÓ ESTÁ VELHINHA

MINHA VÓ ESTÁ VELHINHA

Escrito em julho de 2015

Passando uns dias em Bombinhas, litoral catarinense junto com a família, veio meu neto de três anos e disse: - “Vó, você está ficando velhinha” disse isso porque viu minha pele cheia de pintas. Respondi para ele: - “Estou sim Felipe, ficando velhinha e feia.” Ele balançou a cabeça para os dois lados negando rapidamente e disse: “Não vó, você está ficando uma velhinha bem linda. 

Felipe e sua mágica sabedoria de deixar a gente feliz.



No outro dia estávamos andando pelas ruas da cidade de Bombinhas e eu entrei em uma loja. Lá me demorei um pouco mais enquanto meu neto esperava do lado de fora com seus pais e avô. Então minha filha disse: - “Vamos andando que a vó alcança a gente depois.” Felipe prontamente respondeu de modo aflito: - “Não, não. Temos que esperar a vó Veli, ela está muito velhinha e não sabe voltar sozinha. 

Oh que lindo, preocupado comigo. Não vou ser uma velhinha feia e abandonada se depender do meu netinho.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

COISINHAS MUITO BOAS QUE ME ACONTECEM

Pequena lembrança do dia 26.06.2015





Meu neto Felipe vem na minha casa e entra pela porta chamando: -Vó Veli...Vó Veli ...carregando uma cesta de frutas. Que lindo. Mais lindo saber que a iniciativa foi dele, que sabendo que eu estava doente falou: - tem que levar uma cesta de frutas para vovó. Claro que isso é influência das histórias...dos contos de fadas...aí fica mais encantador ainda. A literatura influenciando na vida e nas atitudes de uma criança de três anos. E eu...me sentindo a vovó de um conto de fadas.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Mães que partiram

Mães que partiram
Só de pensar dói. Corta bem fundo na alma, atravessa o âmago, serra a garganta e não sai. Mães nunca deveriam partir, elas deveriam durar eternamente. Uma amiga muito sábia disse que "nunca se é velho demais para se ficar órfão.

" Ela tem razão. Todo adulto tem coração criança quando se trata de mãe e por mais que se tente agarrar na barra da saia, chega o dia em que, fatalmente, ela diz adeus. Às vezes ainda jovem e ninguém está preparado para aceitar esse tipo de perda. Achamos injusto. Muito injusto mesmo. Por que mãe é mãe.

Mas Deus conhece nossos caminhos e sabe quanto tempo deve durar a missão de cada um. E o que temos que aprender com os que partem. Talvez, quem sabe, seja para que abramos novas janelas, novas portas, façamos novos encontros... para que a gente aprenda a voar só e alto.

Se algumas mães não partissem ou não fossem diferentes, outras mulheres jamais fariam a experiência da maternidade através da adoção.Mas eu sei, com todo meu coração, que quem teve a sua mãe e esta se foi sente um vazio profundo.

Mas é um vazio de saudade, a sensação de não ter mais do lado aquela que parecia preencher qualquer espaço e que preenche ainda nas lembranças.Uma mãe não vai embora pra sempre de verdade. Ela fica nas nossas células, na nossa pele, no nosso coração e mente.

 Mãe é isso: aquela que, mesmo partindo, fica. E, ficando, reconforta. As lembranças também nos fazem viver, nos fazem rir, sentir ternura e é isso que é importante guardar: o que de bom ficou.Mãe é eterna sim, no fim das contas. Ela dura, enquanto a gente dura...

Letícia Thompson

domingo, 12 de junho de 2016

Ter ou não ter namorado


Ter ou não ter namorado

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas
 de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. 
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. 
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. 
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. 
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. 


Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. 
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. 
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. 


Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d´água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. 
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. 
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. 
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. 
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. 
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. 


 Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. 
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. 
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

Artur da Távola








sábado, 21 de novembro de 2015

Está chegando o Natal

Está chegando o Natal


Quantas lembranças esta época linda do ano nos traz: a alegria das crianças,  rever familiares, presentear, passear, celebrar...

Também é tempo de saudade, de sentir um pouco de tristeza em não ter mais junto aquelas pessoas queridas  que partiram do nosso convívio.


O tempo passa tão rápido... 
Tantos natais alegres com a família reunida.
Tantos natais solitários que serviram para 
reflexão e fortalecimento do espírito.




Gosto do clima de Natal...das ruas enfeitadas e coloridas, 
das casas piscando de alegria com seus pisca-piscas,
das pessoas planejando viagens e reencontros,
dos presentes, por mais simples que sejam,
 sendo planejados e preparados com amor.



Gosto do clima de Natal, mesmo sabendo que muitas pessoas esquecem
o verdadeiro sentido cristão e significado desta data 
que é o nascimento de nosso grande Mestre Jesus. 
Sei que, mesmo não se importando muito com a espiritualidade,
as pessoas ficam melhores, mais solidárias e felizes nesta época.


Natal perfeito para mim era na casa da minha Oma, vó querida e amada.
Agora eu também sou avó e quero que meus netos sintam
esse aconchego natalino em minha casa também.


Talvez seja a hora de dar continuidade as tradições natalinas 
e reunir o meu pequeno núcleo familiar 
para cantar e rezar perto do pinheirinho. 
Vamos aprender juntos a cantar
O Tannenbaum e Noite Feliz, 
(sei que vou me emocionar nestes momentos).
Vamos rezar agradecendo e pedindo as bençãos do Criador,
celebrar a oportunidade de estarmos juntos.



Sei que sempre vou trazer as pessoas queridas no coração
 e sei que estarei no coração delas também.
O Natal nunca mais será o mesmo faltando as pessoas que amamos e 
por isso quero fazer o meu melhor Natal todo ano com as pessoas que estão aqui.



                                                                                                             
                                                                                                                       Everli Unterstell

terça-feira, 20 de outubro de 2015

UM BOM CAFÉ


Tomo um Bom Café para reanimar e lembro de minha mãe 
que sempre falava isso: que o café  a reanimava.
Bom Café. Delícia. Minha família gosta muito de um Bom Café
Desde criança, quando passava muito tempo
 na casa de minha querida tia Nelci,
 uma casa cheia de crianças e alegria,
 ouvia ela dizendo no meio da tarde:

 " Agora vou fazer um bom café". 

Aquilo era um ritual para Everli menina,
 a mesa arrumada com capricho, 
o cheiro gostoso do café sendo passado na hora.
 A mesa cheia de gente, cheia de amor,
 repleta de ternura de uma tia-mãe 
para oferecer o melhor para nós:  eu, seus sete filhos:
 Afonso, Frederico, Jussara, Tânia, Daniel, Sílvio e Rodolfo
 e quem mais estivesse presente.


Na casa de minha Oma ninguém vai embora
 sem tomar um Bom Café.
 Minhas tias queridas, também são fãs dele e eu, é claro,
 tinha que seguir essa tradição. 

Este é o Bom Café em minha casa com pessoas muito queridas: 
Vivian, minha filha, minha madrinha Edela,
 minha mãe, tia Nelci, eu e a Oma na foto.


Minha mãe, quando vinha me visitar,
 queria sempre que eu a levasse no shopping 
para tomar um café expresso, 
visitar a livraria Curitiba e comprar presentes para os netos.


E chegava no meio da tarde, minha mãe aqui em casa, 
já começava a se agitar para passar um café. 
Começava um ritual de encher a chaleira de água, 
colocar o pó no coador e enquanto a água não fervia, 
arrumava a mesa com capricho: xícaras, pires e pratinho.
 Garfinho colher e faca. Amor, ternura e carinho. 
Pão, manteiga e geleia. Cuca de banana e bolo formigueiro. 
Sorrisos, paz e encanto. Queijo, linguiça e nata, 
Mel, melado e chimia. Afeto, doçura e esperança.

Assim é o Bom Café de nossas vidas: 
cheio de gostosuras e bons sentimentos.

Everli Unterstell






domingo, 18 de outubro de 2015

ME ILUMINA

 Antes de dormir, Felipe meu neto de três anos, faz duas orações:

 Meu Anjinho
 Meu bom Amiguinho 
Me leve sempre 
Para o bom caminho




Também reza a oração do Anjo da Guarda:






Eis que numa noite, fazendo as orações com sua mamãe ele pega um brinquedo que acende a luz e no final da oração, na parte que diz me rege, me guarde, me ilumine... Ele  diz: 

"Hoje pode deixar que eu ilumino." 
E acende a luzinha de seu brinquedo.



Lindo...soubesse que ele sempre ilumina nossas vidas
 e nem precisa de luz de brinquedo nenhum, pois
ele tem muita luz em seu coração de criança.



                                                                                                                                    Everli Unterstell