terça-feira, 23 de julho de 2024

Cadê essa mulher?


 Recebi uma foto de mais de 20 anos atrás e fiquei admirada com aquela mulher poderosa que vi. Um sorriso largo, bem vestida, unhas pintadas, maquiada, cheia de vida, alegria e empoderamento. Aquela era eu. Onde foi que me perdi? Cadê você, mulher da foto?


Se tivesse visto essa foto há uns três anos, teria ficado decepcionada com o que me tornei. Mas hoje, estou resgatando essa mulher de forma melhorada e atualizada. Naquela foto, eu tinha pouco mais de 30 anos, vivendo minha glória, meus anos dourados. Eu era uma mulher separada, independente, bonita e corajosa. Foram pouco mais de dois anos vivendo dessa forma até que me apaixonei, casei, e a vida foi mudando, mudando, mudando. Foi bom, mas também foi ruim. Enfim, agora estou separada novamente, morando sozinha e resgatando minha autoestima.


Foi muito difícil começar a pensar em mim novamente. Foram anos pensando em "nós". O medo tomou conta de mim. Sair da zona de conforto não é fácil, mesmo que essa zona de conforto não seja tão boa assim. Comecei a fazer Pilates, um curso de artesanato, caminhar na praia, entrei em um curso de pintura, fui à cabeleireira depois de anos cortando o cabelo sozinha, fiz aula de dança cigana. Fui me resgatando aos poucos.


No começo, sentia muita solidão, mas aos poucos fui gostando da minha própria companhia. Pintei meus cabelos de vermelho, fui à manicure, comprei um colar e um óculos de sol estilosos, passei batom, comprei maquiagem, comecei uma dieta, voltei a estudar, viajei com as amigas. Depois de uma caminhada eu fui tomar café sozinha, numa cafeteria super charmosa. Tirei uma selfie e postei. Uma amiga viu a foto e  escreveu: "Amiga, você está empoderada."

 E assim, com 56 anos, aposentada e cuidando da minha vida, estou resgatando a mulher incrível que sempre fui.




Cada passo que dou é um reencontro com aquela mulher poderosa da foto, e estou redescobrindo a alegria de viver com intensidade e amor próprio.



quarta-feira, 26 de junho de 2024

A Beleza de Recomeçar

 


Recomeçar não é uma tarefa fácil, nos tira da zona de conforto do conhecido e do habitual. Há dois anos estou nesta caminhada de recomeçar, desta vez com mais maturidade, mas com muitas inseguranças. Trouxe na minha mudança os móveis e a desilusão. Trouxe a despedida, as lágrimas, as roupas e a saudade. Fiquei sem norte, sem direção, mas carregada de esperança de dias melhores.

Não é difícil dizer adeus ao que te fazia mal, mas dizer adeus ao que te fazia bem é devastador.

Há uma beleza em recomeçar, uma beleza escondida que vai aparecendo aos poucos. Um dia, você entra na loja e vai comprar sua cama nova. É você que escolhe a cor, a marca, o tamanho, o preço. Ninguém para ajudar e dar opinião. Você que vai pagar, receber e colocar no lugar que você quiser. Começa a surgir a beleza de recomeçar: a vitória de conseguir fazer uma pequena escolha sozinha. Você deita na sua cama nova, feliz e capaz. Ninguém vai reclamar da sua escolha. Ela é sua e para você.

Então, cria-se uma lista de pequenas conquistas e vitórias que vão fortalecendo a autoconfiança, a autoestima, a autonomia. As escolhas são minhas e para mim. Eu escolho tudo que quero na minha vida agora.

De umas semanas prá cá, para alegrar meu lar, estou comprando flores. Não consigo cultivar muitas plantas no meu apartamento, então decidi que quero trazer alegria e cor para os meus dias. Todo sábado, vou gastar um pouco de dinheiro em alegria. Já comprei rosas vermelhas e amarelas, margaridas, girassóis e mini rosas. A cada sábado, trago um pouco mais dessa beleza de recomeçar para mim.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Das Lições da Vida

 Das lições da vida


Terça-feira, um dia mais corrido pra mim e tenho somente dois compromissos: Pilates e pintura. Porém, esses dois compromissos, são durante à tarde. Vou ao Pilates e saio rapidamente, para dar tempo de chegar em casa, tomar banho, tomar um café e partir para o próximo compromisso. 

Ontem tive que deixar a pressa de lado, pois quando faltava pouco para chegar em casa, vi uma senhora caminhando com dificuldades Ela carregava duas sacolas de compras e se apoiou no muro. Pelo seu andar lento e rígido imaginei que estava com dor nas costas, pois é assim que eu ando quando minha coluna reclama, dou passos curtos , sem mexer muito o corpo para evitar a dor. Com a coluna travada pareço um robozinho. 

Fiquei preocupada com aquela senhora. Depois daquele breve descanso, ela deu uns dez passos e se apoiou no muro novamente. Com meu andar rápido, depois de ter minha coluna toda alongada no Pilates, cheguei perto e perguntei se ela estava se sentindo bem. Ela disse que sim, que era dor nas costas. Então me ofereci para carregar suas sacolas e mesmo assim ela andava com dificuldade. Ofereci meu braço para ela se apoiar e assim, fomos em passos lentos, até chegar em sua casa.

Nessa caminhada lenta ela foi me contando suas mazelas, suas dores, suas cirurgias, suas perdas, suas tristezas. Eu ouvi tudo com delicadeza, esperando que aquela mulher sexagenária, pudesse aliviar um pouco da sua dor, se distraindo com seu monólogo. Num repente ela parou de falar, me olhou e disse: "mas eu já passei da minha mãe e da minha irmã, já vivi mais que elas!" Essa triste vitória da sua vida é bem compreensível pra mim, pois também já perdi meus pais. O fato de conseguir viver mais que os outros nos dá uma sensação de que superamos a corrida pela vida.

Enfim chegamos em frente da sua casa, ela disse-me que agora conseguiria levar suas sacolas e iria sentar no sofá, em frente ao ventilador, e descansar. Perguntou então meu nome e falou o seu. Dali avistei o meu prédio e disse a ela onde morava. Ela me contou que seu enteado morava ali e uma amiga também, me agradeceu pela ajuda e entrou

Em passos rápidos completei o resto do caminho, para enfim seguir minha rotina e ir para o meu próximo compromisso. Fiquei por esse curto período pensando naquela senhora e sua situação. Ela tem uma década a mais de vida do que eu. Refleti de como é importante cuidar da saúde e do corpo para não perder a mobilidade. Perdendo a mobilidade acabamos perdendo nossa independência. Também pensei de quantas histórias essa senhora tem para contar, com certeza histórias alegres e outras tristes, como todo ser humano tem. Ela me lembrou um pouco minha mãe, pela sua gentileza e atenção embora minha mãe não costumasse comentar sobre suas dores. 

Penso que a  vida é boa com alguns momentos difíceis e cabe a nós aprendermos a lidar com eles. Cada dia podemos melhorar e temos que esquecer as comparações. No Pilates vejo pessoas com mais idade que eu, fazendo exercícios muito mais complicados e difíceis, mas eu só posso me comparar comigo e com a minha evolução. Cada corpo carrega sua história, suas limitações e seus avanços. E assim é a vida. 

Obs. A imagem que ilustra esse texto é uma pintura de Edgar Degas chamada Melancolia. É incrível  como o artista conseguiu colocar tanta expressão de tristeza e dor nessa imagem. Desde a posição do corpo, a posição das mãos, a testa enrugada, os olhos meio cerrados e a boca entreaberta.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

MINHA VÓ ESTÁ VELHINHA

MINHA VÓ ESTÁ VELHINHA

Escrito em julho de 2015

Passando uns dias em Bombinhas, litoral catarinense junto com a família, veio meu neto de três anos e disse: - “Vó, você está ficando velhinha” disse isso porque viu minha pele cheia de pintas. Respondi para ele: - “Estou sim Felipe, ficando velhinha e feia.” Ele balançou a cabeça para os dois lados negando rapidamente e disse: “Não vó, você está ficando uma velhinha bem linda. 

Felipe e sua mágica sabedoria de deixar a gente feliz.



No outro dia estávamos andando pelas ruas da cidade de Bombinhas e eu entrei em uma loja. Lá me demorei um pouco mais enquanto meu neto esperava do lado de fora com seus pais e avô. Então minha filha disse: - “Vamos andando que a vó alcança a gente depois.” Felipe prontamente respondeu de modo aflito: - “Não, não. Temos que esperar a vó Veli, ela está muito velhinha e não sabe voltar sozinha. 

Oh que lindo, preocupado comigo. Não vou ser uma velhinha feia e abandonada se depender do meu netinho.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

COISINHAS MUITO BOAS QUE ME ACONTECEM

Pequena lembrança do dia 26.06.2015





Meu neto Felipe vem na minha casa e entra pela porta chamando: -Vó Veli...Vó Veli ...carregando uma cesta de frutas. Que lindo. Mais lindo saber que a iniciativa foi dele, que sabendo que eu estava doente falou: - tem que levar uma cesta de frutas para vovó. Claro que isso é influência das histórias...dos contos de fadas...aí fica mais encantador ainda. A literatura influenciando na vida e nas atitudes de uma criança de três anos. E eu...me sentindo a vovó de um conto de fadas.

sábado, 21 de novembro de 2015

Está chegando o Natal

Está chegando o Natal


Quantas lembranças esta época linda do ano nos traz: a alegria das crianças,  rever familiares, presentear, passear, celebrar...

Também é tempo de saudade, de sentir um pouco de tristeza em não ter mais junto aquelas pessoas queridas  que partiram do nosso convívio.


O tempo passa tão rápido... 
Tantos natais alegres com a família reunida.
Tantos natais solitários que serviram para 
reflexão e fortalecimento do espírito.




Gosto do clima de Natal...das ruas enfeitadas e coloridas, 
das casas piscando de alegria com seus pisca-piscas,
das pessoas planejando viagens e reencontros,
dos presentes, por mais simples que sejam,
 sendo planejados e preparados com amor.



Gosto do clima de Natal, mesmo sabendo que muitas pessoas esquecem
o verdadeiro sentido cristão e significado desta data 
que é o nascimento de nosso grande Mestre Jesus. 
Sei que, mesmo não se importando muito com a espiritualidade,
as pessoas ficam melhores, mais solidárias e felizes nesta época.


Natal perfeito para mim era na casa da minha Oma, vó querida e amada.
Agora eu também sou avó e quero que meus netos sintam
esse aconchego natalino em minha casa também.


Talvez seja a hora de dar continuidade as tradições natalinas 
e reunir o meu pequeno núcleo familiar 
para cantar e rezar perto do pinheirinho. 
Vamos aprender juntos a cantar
O Tannenbaum e Noite Feliz, 
(sei que vou me emocionar nestes momentos).
Vamos rezar agradecendo e pedindo as bençãos do Criador,
celebrar a oportunidade de estarmos juntos.



Sei que sempre vou trazer as pessoas queridas no coração
 e sei que estarei no coração delas também.
O Natal nunca mais será o mesmo faltando as pessoas que amamos e 
por isso quero fazer o meu melhor Natal todo ano com as pessoas que estão aqui.



                                                                                                             
                                                                                                                       Everli Unterstell

terça-feira, 20 de outubro de 2015

UM BOM CAFÉ


Tomo um Bom Café para reanimar e lembro de minha mãe 
que sempre falava isso: que o café  a reanimava.
Bom Café. Delícia. Minha família gosta muito de um Bom Café
Desde criança, quando passava muito tempo
 na casa de minha querida tia Nelci,
 uma casa cheia de crianças e alegria,
 ouvia ela dizendo no meio da tarde:

 " Agora vou fazer um bom café". 

Aquilo era um ritual para Everli menina,
 a mesa arrumada com capricho, 
o cheiro gostoso do café sendo passado na hora.
 A mesa cheia de gente, cheia de amor,
 repleta de ternura de uma tia-mãe 
para oferecer o melhor para nós:  eu, seus sete filhos:
 Afonso, Frederico, Jussara, Tânia, Daniel, Sílvio e Rodolfo
 e quem mais estivesse presente.


Na casa de minha Oma ninguém vai embora
 sem tomar um Bom Café.
 Minhas tias queridas, também são fãs dele e eu, é claro,
 tinha que seguir essa tradição. 

Este é o Bom Café em minha casa com pessoas muito queridas: 
Vivian, minha filha, minha madrinha Edela,
 minha mãe, tia Nelci, eu e a Oma na foto.


Minha mãe, quando vinha me visitar,
 queria sempre que eu a levasse no shopping 
para tomar um café expresso, 
visitar a livraria Curitiba e comprar presentes para os netos.


E chegava no meio da tarde, minha mãe aqui em casa, 
já começava a se agitar para passar um café. 
Começava um ritual de encher a chaleira de água, 
colocar o pó no coador e enquanto a água não fervia, 
arrumava a mesa com capricho: xícaras, pires e pratinho.
 Garfinho colher e faca. Amor, ternura e carinho. 
Pão, manteiga e geleia. Cuca de banana e bolo formigueiro. 
Sorrisos, paz e encanto. Queijo, linguiça e nata, 
Mel, melado e chimia. Afeto, doçura e esperança.

Assim é o Bom Café de nossas vidas: 
cheio de gostosuras e bons sentimentos.

Everli Unterstell